Mitos sobre a criação

   

    As religiões que floresceram na antiga Grécia e na Mesopotâmia, com um panteão de deuses e deusas que influenciavam através de seus atos a vida dos mortais, teve seu princípio na fusão de grupos migradores indo-arianos com outros povos que ocupavam seu caminho. O mito da criação no grande Panteão Hindu, torna algumas destas religiões extrememente comparáveis para nós, seus contemporâneos.

    Quando comparados, o hinduísmo e a mitologia nórdica, encontramos os mitos sobre a serpente do mundo. Vishnu, um dos deuses da criação hindu, descansava sobre  serpente Ananta, quando de seu umbigo brotou uma flor de lótus e desta nasceu Brahma, o deus criador. Jüngermund, a serpente do mundo enrola-se no leito do oceano, e possuirá um papel importante no Ragnarok, a derrocada dos deuses. Um outro mito envolvendo uma serpente do mundo vêm da África, a serpente arco-íris, ou Oxumaré, cujo símbolo, a cobra mordendo a própria cauda possui a função de manter a atmosfera do planeta, e assim sustentar a vida na Terra.

    O mito grego da criação possui características próprias. No princípio havia apenas o Caos ou o vazio. O Caos gerou Gaia e Urano, os primeiros seres conscientes, os primeiros deuses. Gaia encarnava em si o planeta Terra, a Grande Deusa Mãe, enquanto Urano era o Céu, considerado misterioso e onde para as mentes primitivas destes primeiros tempos ocorriam os mais assustadores fenômenos. Urano e Gaia geraram a primeira raça de imortais, os chamados Titãs, eram eles, Cronos e Réia (titãs do tempo), Oceanus e Tétis (titãs das águas e dos ocenos), Crius e Mnemósine (titãs da memória), Iapetus e Têmis (titãs da justiça), Coeus e Fébe (titãs da Lua), e Hipérion e Thia (titãs do sol). Nada mais lógico que com o passar do tempo a mente humana necessitaria criar mecanismos para entender o funcionamento do mundo. O surgimento de mitos de deuses e deusas que faziam parte da criação foi a forma como aquelas culturas primitivas começaram a questionar o funcionamento do cosmo. Urano e Gaia ainda geraram monstros como os Hectacônquiros, monstros de cem braços que provocavam os terremotos (mais uma vez a mente primitiva querendo adequar o funcionamento do mundo natural através do mágico, do sobrenatural), os ciclopes, além dos rios, árvores e plantas. Em um outro mito, Urano nasceu de Gaia e a desposou como filho.

    Em um dos mitos que tentam explicar a sucessão, a morte, o pátrio poder destas antigas sociedades, encontramos o de que Urano possuía um ciúme terrível de sua esposa-mãe com seus filhos, e por isso ele mantinha os Titãs aprisionados no Tártaro (região dentro de Gaia). Gaia temendo por seus filhos fez com que estes se rebelassem contra o pai. Forjou uma foice e presenteou Cronos, o filho mais novo com ela. Cronos assassina o pai, cortando-lhe os testículos e jogando-os no mar. Em um dos mitos do nascimento dos deuses, desta mesma espuma nasce Afrodite, deusa do amor e da beleza.

    Inicia-se a chamada era de ouro dos titãs, e esta dura até o momento em que Réia dá a luz aos olimpianos, Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Deméter e Héstia. Sabendo dos vaticínios sobre a sucessão dos filhos que o aguardam, Cronos devora todos os seus filhos, com exceção de um. Réia consegue esconder o bebê Zeus, com a ajuda de Gaia, do apetite do marido, enrolando uma pedra na manta do bebê.

    Zeus cresce sobre a proteção de Gaia e das ninfas, até tornar-se forte o suficiente para enfrentar seu pai. Assim como Odim, Zeus possuía a astúcia de transfigurar-se, principalmente em suas conquistas amorosas. Disfarça-se como um viajante e oferece uma bebida preparada por Métis, sua primeira esposa, filha de Ocenus e Tétis, que faz com que Cronos vomite seus filhos. Inicia-se uma guerra que dura cem anos chamada de Titanomaquia. Para vencer, Zeus liberta os monstros filhos de Gaia aprisionados, e assim exila os titãs no Tártaro, iniciando o reinado dos olimpianos.

   Zeus não escaparia de ser sucedido por um de seus filhos. Gaia profetizou que ele seria sucedido pelo filho de sua esposa grávida, Métis. Zeus engoliu a deusa para que a profecia não fosse realizada. No entanto, depois de um certo tempo sua cabeça começou a doer e inchar de um modo insuportável, até que ele mandou seu filho Hefestos abri-la com um machado. De dentro dela saltou a deusa Atena, deusa da sabedoria, vestida de armadura, escudo e com a deusa da vitória Nike nas mãos.

    O velho dá lugar ao novo, mesmo entre os imortais!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s