A reencarnação, seus mitos e atualidades.

    A primeira religião que realmente pregou a imortalidade e transcendência da alma humana, ou melhor dizendo, a reencarnação, foi o hinduísmo, que é uma das, senão a mais velha religião do mundo. Suas origens remontam às tradições orais passadas de pai para filho, e após a invenção da escrita nesta região do mundo, estas tradições foram transcritas em escrituras sagradas, algumas delas reconhecidamente são as mais velhas do mundo. Entre essas podemos destacar os Vedas, os Upanishades, os Tantras e os Puranas, além dos poemas épicos como o Ramayana e o Baghadaghita e o Mahabarata. Nestas obras se discutem a mitologia e  a filosofia desta religião que pela sua tradição oral inicial, não possui um fundador histórico.

    Sendo uma das religiões mais plurais do mundo quando se trata da crença de seus eguidores, podemos destacar por exemplo o culto a Krishna, uma das encarnações na Terra do deus Vishnu, que forma com Brahma e Shivah a trindade sagrada do chamado brahmanismo. Além destes deuses a religião hindu incorpora as entidades celestiais chamadas devas, os “brilhantes”, considerados como outros deuses e deusas deste panteão, onde destacam-se figuras como a de Lakshimi, Hanuman e de Ganesha.

    Como seres celestiais os devas devem guiar os seres humanos ao moksha, a iluminação,  ou seja à libertação da roda do samsara, o ciclo de nascimentos e renascimentos que os seres humanos são condenados através do acúmulo do Karma em suas encarnações, a lei de ação e reação do universo.

    Essa explicação da religião hindu é extremamente parecida com a atual filosofia do espiritismo. Certamente existem diferenças básicas entre as duas religiões. O espiritismo por exemplo não aceita o fenômeno da mentapsicose, apesar do termo se referir à transmigração da alma, esta pode não acontecer necessariamente em outro corpo humano, mas também em animais e vegetais.

    O espiritismo se instaura como uma religião de cunho positivista, procurando explicações e embasamento nas ciências e teorias de sua época. Uma delas, o evolucionismo de Darwin dá ao espiritismo a afirmação de que um espírito que alcançou o estágio de desenvolvimento humano, não poderá retornar a um estágio anterior de sua própria evolução, portanto, segundo o espiritismo e o darwinismo não existe uma involução. O que é aceitável ao espiritismo é que a degradação moral do indivíduo pode levá-lo a um processo de estagnação de seu processo evolucionário, o que acarretaria em um maior número de encarnações conforme seus próprios erros (aqui a noção de karma se aproxima muito da necessidade reencarnatória do espiritismo).

    Voltando à antiga Grécia, também podemos encontrar mitos sobre a reencarnação. Na margem do rio Lete nos campos Elíseos uma grande fila de espíritos bebem do rio e de suas águas do esquecimento aguardando sua vez de tomar um novo corpo, destituído de suas antigas memórias, procurando uma nova chance em uma nova vida. Os gregos também admitiam mentapsicose neste processo. É o que narra Enéas em sua descida ao Hades acompanhado de Sibila.

    Sabemos que o espiritismo ensina que o espírito em preparação para a reencarnação passa por um processo de esquecimento, processo este para que a nova vida, junto a outros espíritos seja desprovida de velhas animosidades.

    No cristianismo primitivo a idéia de uma vida próxima, na famosa frase de Jesus, “O reino de Meu Pai não é deste mundo”, estabelece a existência de uma outra vida após a morte do corpo físico. A reencarnação foi muito difundida nos primeiros anos do cristianismo enquanto não havia a institucionalização de uma igreja com regras e dogmas.

    Na verdade foi no Concílio de Nicéia no ano de 325 que sob as ordens do Imperador Constantino, reuniram-se pela primeira vez os bispos cristãos, e onde se renegou a reencarnação em favor da ressurreição, e  inclusive sua supressão das escrituras com a imposição dos evangelhos canônicos. Este fato além da divindade ou não de Jesus foram discutidos na chamada Questão Ariana.

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